Kaapora – O Chamado das Matas

Kaapora O Chamado das Matas foi gravado nos meses de junho e julho de 2020 na APA Kaapora, Área de Proteção Ambiental criada pela comunidade indígena Pataxó Hãhãhãe, na Terra Indígena Caramuru Paraguaçu, no município de Pau Brasil/Ba.

O roteiro do filme foi escrito em 2018/19 e passou por adaptação para filmagens em razão das dificuldades causadas pela epidemia de Covid. As filmagens foram realizadas em junho e julho de 2020 para que a obra pudesse integrar a exposição Véxoa – nós sabemos, da Pinacoteca de São Paulo, e foi realizada por convite que recebi em janeiro de 2020 da Curadora da mostra, a pesquisadora Naine Terena e da Pinacoteca para participação na Véxoa.

Lançamento:

O lançamento nacional do filme foi na exposição Véxoa, da Pinacoteca de São Paulo, em 31 de outubro de 2020 e internacionalmente no Vancouver Latin American Film Festival

Cartaz Kaapora O Chamado das Matas
Cartaz Kaapora O Chamado das Matas

Citações em artigos:

Mongabay

Mostra indígena em SP quer denunciar crimes contra a floresta através da arte

UOL – NOTÍCIAS DA FLORESTA


Crítica do Filme na sessão teste:

Olinda querida, parabéns pelo filme, lindo! “Kaapora O Chamado das Matas” tem uma fotografia muito bonita e bem elaborada. O filme é um chamado da cineasta ao regaste da Natureza. Olinda, no filme também atua como atriz, representando sua própria missão de vida: a conservação dos territórios indígenas e proteção de sua cultura. –Shaynna Pidory

 

Em meio a essa fase difícil que a humanidade atravessa, esse filme chega como um aviso: Ainda estamos aqui, lutando para manter nossa cultura mesmo que contra o mundo. Depois de tantos anos de luta pela terra enfim conquistada, a questão indígena a muito não estava tão em pauta.

‘Nos somos parte da natureza.’ Essas frase da protagonista, talvez seja a mais marcante do filme, dita de forma despretensiosa, porém com tamanha sensibilidade, mostra como ela se sente depois do seu momento de  epifania – momento esse em que o filme utiliza do surrealismo que combinou perfeitamente com elementos indígenas e documentais.

Emocionante, desperta em nós uma melancolia de uma história que não vivemos, mas que queremos que se mantenha viva. E fácil de se identificar r sentir empatia pela personagem, vendo as relações entre a mulher, natureza materna e a criança que amadurece e que quer entender o seu lugar no mundo.

Eles que abririam mão dos seus costumes para sobreviver, agora lutam para manter sua cultura viva. O filme é um chamado para o auto-conhecimento. – Erika Ruther

 

O filme “Kaapora, o chamado das matas” já começa com a visão indígena da história da colonização do Brasil – uma história de genocídio, exploração e violência. A protagonista e diretora Olinda Yawar  traz elementos da história e da cultura Tupinambá através dos arquétipos da entidade da Cabocla Jurema e da mitológica Caipora, que surgem no filme de forma onírica e são as mais fieis metáforas do discurso fílmico.  A cabocla Jurema é um ser de encanto de luz que representa seus ancestrais, já a Caipora ou Kaapora na mitologia indígena é a criatura que cuida da mãe terra, ela engana os exploradores com a finalidade de proteger a terra, pois esta precisa de cuidados após séculos de maus tratos e extração de suas forças vitais.

Imagens de arquivo da catástrofe em Minas Gerais e dos recorrentes incêndios na floresta Amazônica reforçam o discurso do filme e representam a realidade sócio ambiental do Brasil hoje.  Em contraste ao que vem ocorrendo com a natureza, Olinda desenvolve na ONG Kaapora um trabalho de reflorestamento e preservação que também é recontado através de registros feitos ao longo dos anos de trabalho na reserva.  Olinda mostra algumas das adversidades que enfrentou e as marcas traumáticas deixadas pelo passado de incêndios e devastação da vegetação para pastagens.

Um filme necessário neste momento politico onde tudo parece estar desabando no mundo. Para que se compreenda a luta e o significado do que esta exposto no filme, Olinda discursa entre mulheres diante do fogo, e afirma a urgência do chamado das matas. Ela quer ver o rio voltar a correr e as arvores crescerem naquela terra.

A trilha original inspirada em pontos de toré e a música Refazenda de Gilberto Gil emocionam o espectador e ajudam a traduzir o real significado do chamado da Kaapora.

Ouça o chamado, preste atenção, a mensagem é clara.  Ele ecoa em nossos corações porque como diz a autora: “Nos também somos a natureza”. Marcilia Cavalcante

 


Sobre a Véxoa e a minha participação na mostra com o filme, nos fala Naine Terena:

Véxoa, eu acredito que teve início na realidade em 2016, esse embrião foi implantado durante os dias de estudos da bienal de São Paulo que foi realizada pelo agora diretor da Pinacoteca o Jochen Volz. Eu conheci o Jochen e a equipe dele aqui em Mato Grosso, nos dias de estudos, e a minha participação nesse processo foi se ampliando até que a gente começou a manter um diálogo mais firme. Acredito que esse encontro possibilitou a gente estar fazendo essa exposição hoje. Então ela é muito importante não somente porque é a primeira exposição de arte indígena dentro da Pinacoteca, mas porque ela não surge do nada, ela surge de um processo de conhecimento e de reconhecimento de pessoas, de pensamentos, de filosofias de vida, de arte, de estética. E talvez isso tudo precisasse desse tempo mesmo pra ser processado, para ter uma organicidade, para ter uma verdade. Não é algo que a gente está fazendo de maneira que se esvaia depois.

A gente pensa que a exposição vem num momento muito duro para todo mundo, e a gente não previa que isso iria acontecer. Mas a proposta se mantem, porque Véxoa é nós sabemos, uma livre tradução que faço de sabemos, em terena, e a gente acredita piamente que, diante de todas as dificuldades que os povos indígenas já viveram, vivem, e vão viver, porque o sistema é muito bruto, ele é muito ruim para os povos originários, Véxoa vai sobreviver também.

Nós sabemos da potencia que tem a produção indígena, e é uma potencia tão grande que sobrevive, sobreviveu a todos os ataques que nós sofremos desde a chegada dos colonizadores no Brasil. A arte indígena ela não é perene, ela se manteve durante todo esse período de tentativa de extermínio, nós sabemos dessa importância, nós sabemos o quanto ela carrega instrumentos de luta de memória de força cosmológica dos Encantados, da Natureza. Ela é composta de muitos elementos, de muitas entidades, de muitos fazeres, de muitas mãos, e de muitas pessoas que acredito que estão compreendendo o que é isso. Então, a exposição, a gente tem cerca de 17 coletivos e artistas individuais, com uma seleção que foi muito difícil, porque nós temos uma produção muito bonita no Brasil. Mas eu procurei dialogar com todo mundo que tá na exposição e ver o que que cada um pensava e queria trazer, e assim foi se constituindo.

No meio do caminho algumas adaptações foram sendo feitas, inclusive os últimos artistas entraram ainda nesse ano, agora nos últimos meses, e é isso. Eu acredito que Véxoa tem um poder muito grande. A gente vai abrir esse ano, ainda que tenhamos ai uma pandemia, más todos os cuidados estão sendo tomados. A instituição está fazendo o trabalho de sensibilização dos seus funcionários, do público, pra que tudo ocorra bem, porque a gente não pode desistir, a gente nunca desistiu e nunca adiou nada desse processo de sobrevivência e como é uma exposição indígena de verdade, nada mais justo que a gente resistir nesse momento.

Eu vou te agradecer pela linda obra, você sabe que sou sua fã, e eu acho que todos os trabalhos que eu fiz, ou praticamente todos, você tá inserida, porque acho que você tem uma potência muito grande, muito rica, e um conhecimento muito bonito para ser propagado para os seus, e para  a sociedade toda. A estética da sua linguagem é muito bonita, eu gostei muito do vídeo, ele tá muito verdadeiro, está muito expressivo. Tem muita coisa ali que eu, agora, não conseguiria te falar, mas eu consegui ver. Eu acho que é assim, talvez não se traduza em palavras o que se passou ali na produção, mas eu consigo compreender o alcance das dimensões que ela tem. Então obrigada pela tua participação, e pelo belo trabalho que você fez pra gente, diante de todas as dificuldades, do recurso financeiro que não era algo assim mirabolante, mas eu ouvi esses dias um parente guarani, que faz filmes dizendo que ele, agora que dominam os equipamentos, ele faz os filmes dele quando e como ele quiser, e isso eu acho que é muito bonito, a gente poder fazer, tendo as condições mínimas.

 

Sinopse:

Uma narrativa da ligação dos Povos Indígenas com a Terra e sua Espiritualidade, do ponto de vista da indígena Olinda, que desenvolve projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento do filme.


O filme incorpora arte de artistas indígenas e não indígenas que são apoiadores da causa indígena ou simpatizantes das culturas e povos originários das Américas. Dentre estas obras, está Mulher Pajé 2 do artista Jaider Esbell, e para sua divulgação a pintura digital feita por Letícia Abelha originalmente para o filme. De obras musicais “Kaapora O Chamado das Matas” traz música original em sua trilha musical, Cabocla Jurema, canção de Yawar adaptada por Daniel Penha para o filme, além de músicas da banda Arandú Arakuaa e Gilberto Gil. As obras lítero-musicais com cessão de direitos de uso e seus respectivos fonogramas foram gentilmente cedidos pela Arandú Arakuaa e pela Gege Edições Musicais / Warner Music Brasil LTDA, uma empresa Warner Music Group.

Jaider Esbell é Artista, escritor e produtor cultural indígena da etnia Makuxi. Nasceu em Normandia, estado de Roraima, e viveu, até aos 18 anos, onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol (TI Raposa – Serra do Sol). Antes de ser artista, habilidade descoberta na infância, Esbell percorreu diversos caminhos, acreditava, levariam à plena condição de manifestar suas habilidades. 

Letícia Abelha  é artista plástica mineira, residente em Belo Horizonte. Seu trabalho possui como principal referência a natureza, cultura e espiritualidade brasileira. Transita entre os formatos tradicionais de pintura e desenho, além da arte digital e experimental. Jornalista por formação e professora de Yoga, utiliza a imagem como relato daquilo que julga mais importante transmitir em sua jornada.

Arandu Arakuaa  (saber dos ciclos dos céus ou sabedoria do cosmos, em Tupi-Guarani), teve início em abril de 2008 por Zândhio Huku. A banda atualmente é composta por Zândhio Huku (Guitarra/Vocais/Viola Caipira/Instrumentos Indígenas), Andressa Barbosa (Baixo/Vocais), Guilherme Cezario (Guitarra/Vocais), João Mancha (Bateria/Percussão). A musicalidade da banda mescla heavy metal à música indígena e regional brasileira, com letras nos idiomas indígenas Tupi, Xerente e Xavante, inspiradas nas cosmologias, sabedorias e lutas dos Povos Indígenas do Brasil. Desta maneira, buscando contribuir para a divulgação e valorização de suas manifestações culturais, subestimadas durante os séculos. O uso da viola caipira realça ainda mais a brasilidade na sonoridade do Arandu Arakuaa. Zândhio usa uma Guitarra Viola, instrumento idealizado pelo próprio músico. Em agosto de 2011, a banda fez o seu primeiro show e, desde então, divulga o seu trabalho com um repertório 100% autoral. Foi citada como exemplo de resistência em ecologia, em tese de doutorado em educação da UNICAMP, participou de uma cena para uma série sobre o lendário Zé do Caixão, interpretado pelo ator Matheus Nachtergaele e transmitida pelo canal de Tv Space, além de matérias em mídias de grande circulação como BBC Brasil, Uol, G1, Terra, O Globo, Correio do Povo, dentre outros.

Gilberto Gil é cantor, compositor, instrumentista, produtor musical, conhecido por sua contribuição na música brasileira e por ser vencedor de prêmios Grammys Americano, Grammy Latino. Em 1999, foi nomeado “Artista pela Paz”, pela UNESCO. Em mais de cinquenta álbuns lançados, ele incorpora a gama eclética de suas influências, incluindo rock, gêneros tipicamente brasileiros, música africana, funk, música disco e reggae. (Wikipedia) Gil é conhecido apoiador da causa indígena. tendo gravado cm outros artistas a canção “Demarcação Já”, dentre outras ações de apoio.

Daniel Penha é cantor, compositor e multi instrumentista do interior baiano. Nascido em Jacobina, cresceu entre Quixabeira e Capim Grosso, e por isso sua arte teve influências musicais bastante mestiças, de elementos da musica rural e urbana que vão do samba rural, batuque, chula, coco, baião, reggae, jazz, rock e heavy metal, não se considerando em um padrão fixo, porém mantendo uma identidade marcante. Traz em seus trabalhos, a cultura da música hippie nordestina, a tradições do Samba de sua região, fundido ao som da música contemporânea mundial. Seu primeiro álbum solo, intitulado Verbo Utopia, lançado em novembro de 2018, traz canções de sua autoria, uma produção do interior baiano. 


Direitos Autorais e Patrimoniais Reservados 
CPB emitido pela ANCINE Produtora: Olinda Muniz Silva Wanderley Diretora: Olinda Muniz Silva Wanderley Detentora de cotas patrimoniais: Olinda Muniz Silva Wanderley; 100% de direitos

Produção e Direção Yawar Muniz Wanderley. 2020. Documentário/Ficção. Brasil. 00:19:57. Povos Indígenas / Tupinambá / Pataxó Hãhãhãe / Espiritualidade / Ligação com a Terra / Recuperação Ambiental / Projeto Kaapora / História de Vida / Visão de Mundo – Perspectiva Cognitiva.

Apoio de Produção

 

2 comentários em “Kaapora – O Chamado das Matas

    1. Bom dia, Gilmar. Por enquanto o filme está disponível em mostras e festivais de cinema. A primeira exibição aqui no Brasil vai ser na Pinacoteca de São Paulo, na exposição Véxoa, que estava programada para o final do mês passado, mas teve atraso na preparação. Me informaram que irá abrir ainda neste mês de setembro. Depois de exibido na Véxoa, iremos inscrever o filme em outras mostras e festivais aqui no Brasil e informar nesta página e pelas redes sociais. Vou te enviar email com um número de whatsapp para você entrar em contato, caso queira receber informação pelo whatsapp.

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